|
|

Convívio
com os animais é recurso terapêutico.
Por
Vininha F. Carvalho
O
ser humano sempre sofreu uma espécie de Síndrome
de Narciso que o
levou a construir mitos de si mesmo, como o de considerar-se feito à imagem
e semelhança de Deus ou o coroamento da criação.
É como
se toda a evolução biológica que o precedeu
fosse uma espécie de ensaio da
natureza para atingir o ápice da perfeição:
o surgimento do Homo sapiens.
| Por
sentir-se o centro do universo, o homem reconhecia no animal
e nas
outras espécies simples coisas, desprovidas de vida
própria, que
existem apenas para lhe servir. Ao iniciar o processo de
civilização,
o ser humano levou consigo o planeta inteiro, desequilibrando
todo o ecossistema.
A
partir do momento, que foi despertada a necessidade de
preservarmos
o
meio ambiente, surge uma nossa concepção de
relacionamento, voltada
para o respeito a todas as formas de vida, onde inclui-se
os animais.
Com
todos os avanços da ciência, pesquisas mostram
que o convívio com
os animais é considerado um dos melhores recursos terapêuticos.
O
animal que antes servia apenas de suporte, evoluiu também
para animal
de estimação. Sua relação com
o ser humano tornou-se tão complexa que, ao entrar
para uma família, ele é capaz de provocar alterações
no
comportamento de todos os seu membros.
|
|
Os animais
domésticos passaram a ser considerados importantes na
sociedade, por oferecer apoio emocional.Para quem vive na cidade,
representam contato com a natureza. Está nos genes humanos
apreciar a
interação com animais e plantas.
A simples presença
de um animal de estimação pode ser relaxante, ajudar
a diminuir a pressão sangüínea e o estresse.
Alguns animais são mais
benéficos que outros.
O efeito relaxante
aparece menos quando se tem um
peixe num aquário ou pássaros na gaiola. Os
resultados dependem de contato, portanto, aqueles que podem ser
tocados, como cachorros e gatos, são mais eficientes. Gatos
são
particularmente úteis no tratamento de pessoas com tendências
depressivas. Ao contrário dos cachorros, buscam o carinho
dos donos só quando requisitados.
Atualmente,
em muitos lugares, os animais são usados na recuperação
de
doentes, convalescentes e até presidiários. Na Europa,
30% das terapias
de recuperação utilizam animais. Em San Francisco,
nos Estados Unidos,
existe um programa em que cães e gatos oferecem conforto
a pacientes
terminais de Aids.
A convivência
com o animal, as vezes, acaba substituindo para algumas
pessoas, os filhos e os amigos. O amor incondicional, a lealdade,
a
compreensão sem crítica e estar presente em todas
as situações são
elementos fundamentais neste relacionamento. Isso faz com que essa
relação seja, muitas vezes, considerada superior
a de um ser humano com
outro.
A preocupação
em criar leis para defender os animais de circo, os utilizados em
rodeios, o combate ao tráfico de animais silvestres e um
interesse muito grande em salvar algumas espécies da extinção,
incentivar a posse responsável e o controle de natalidade
dos animais domésticos para tentar solucionar o problema
do abandono, demonstram que os homens estão conscientes que
estas atitudes representam assegurar o equilíbrio do planeta.
Vininha
F.Carvalho
ambientalista e editora do Portal Animalivre -
www.animalivre.com.br
|